Porque as noivas usam branco?

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No mundo ocidental essa é a cor do vestido mais importante da vida de várias mulheres. Tamanho é o seu significado que chega a ser uma gafe os convidados comparecerem ao casamento com a cor da estrela do dia.

Muito provavelmente se lhe perguntarem sobre a cor a primeira coisa que virá em sua mente será a relação que a fazemos com a pureza da noiva. Afinal, não é a toa que mulheres que já possuem filhos ou já foram casadas escolhem um vestido com uma cor clara, geralmente em tom pastel para a cerimônia. Mas o que poucos sabem é que essa é uma tradição que se iniciou bem recentemente em meados do século XIX e continua até os dias de hoje sem previsão de acabar.

Nos dias de hoje quando pesquisamos “vestidos de noiva medievais”  encontramos modelos atualizados todos, ou a maioria, na cor branca mas com traços que nos remetem à época. No entanto, se nos remetermos à pinturas medievais veremos que as coisas eram na verdade bem diferentes.

Na idade média o que importava não era a cor, mas o luxo dos vestidos. Os casamentos eram vistos como forma de fazer alianças comerciais, os vestidos eram usados para demostrar as posses da família. Dessa forma, não apenas cores e estampas variadas chegavam ao altar, mas até o pretinho nada básico chegou por vezes a fazer parte do dia tão esperado.

E como, afinal, chegamos ao nosso tão amado vestido de noiva branco? Alguns historiadores da área alegam que tudo começou com Joséphine, a mulher de Napoleão Bonaparte. Curiosamente ela já tinha se casado antes (tinha dois filhos do marido anterior) e elegeu um vestido branco para a coroação de Napoleão Bonaparte, no ano de 1804.

Na ocasião, eles confessaram ao papa Urbano VII que não eram casados na Igreja (alguns autores dizem que eles casaram-se em 1796 em uma cerimônia familiar), mas o casamento religioso aconteceu na catedral de Notre-Dame, em Paris, pouco antes da coroação ou auto coroação, já que Napoleão tomou a coroa das mãos do papa, como mostra o famoso quadro de Jacques-Louis David (abaixo). Repare no vestido branco, coberto por uma manta feita de pele de arminho e uma outra vermelha por cima.

Outros alegam que tudo começou por volta do século XIX com o casamento da  rainha Vitória da Inglaterra que casou-se de branco voluntariamente. Depois da inovação feita pela Rainha Vitória, outras mulheres passaram a usar o branco por questão de status. Sim, o vestido branco era sinônimo de classe social por um motivo: os vestidos coloridos geralmente eram usados comumente no cotidiano após a cerimônia como uma peça qualquer no guarda-roupa. Já o branco, que era extremamente difícil de ser limpo completamente para ser usado posteriormente, seria utilizado somente na cerimônia. Curiosamente essa mesma rainha foi uma das poucas a se casar de fato por amor o que deu a origem dos vestidos brancos no casamento um aspecto também romantizado.

Reprodução do vestido da rainha Vitória usado pela atriz Emily Blunt, no filme Young Victoria (de 2009).
Vestido de casamento da Rainha Vitória, exposto no Palácio de Kensington, em Londres

E de onde veio a ideia de pureza e virgindade que é associado ao vestido branco até hoje? Foi graças a uma declaração feita pela revista de grande circulação nos anos de 1800, Godey’s Lady’s Bookquase uma década após o casamento da Rainha Vitória. Na publicação, foi dito que “Branco é a cor mais adequada, seja qual for o material. É um emblema da pureza e inocência da mocidade, e do coração imaculado que agora se rende para o escolhido”. 

É preciso ressaltar também que a religião e sua grande influência na sociedade muito diz sobre o modo como as pessoas se vestem e se comportam. No mesmo século XIX ocorreram 3 aparições de Nossa Senhora vestida de branco na França. E sempre que se remetiam as tais aparições, se remetiam a “virgem vestida de branco”. Daí também aquela ideia de virgindade e pureza que é associada à noiva até os dias de hoje.

Espero que tenham gostado.

Foto: Reprodução

Bjus <3